Vespa asiática: como proteger o apiário (e a quem comunicar um ninho)
A vespa asiática (Vespa velutina) chegou a Portugal pelo Minho no início da década de 2010 e espalhou-se desde então por grande parte do território. É um predador especializado de abelhas: paira à frente das colmeias, captura as campeiras que regressam e, nos piores casos, deixa a colónia tão stressada que deixa de sair para trabalhar.
Não há uma solução única. O que funciona é uma combinação de vigilância, armadilhas na altura certa, proteção das colmeias e comunicação dos ninhos às autoridades.
Como a reconhecer
- Corpo quase todo escuro (preto ou castanho muito escuro), com uma única faixa larga alaranjada no abdómen.
- Patas com as pontas amarelas — o sinal mais fácil de ver.
- Um pouco mais pequena do que a vespa europeia (Vespa crabro), que é mais avermelhada e amarela e não deve ser confundida nem perseguida.
- Comportamento típico: várias vespas a pairar, imóveis no ar, a um ou dois palmos da entrada das colmeias.
O ciclo ao longo do ano
- Fim do inverno e primavera: as rainhas fundadoras saem da hibernação e constroem sozinhas um ninho primário, pequeno e geralmente abrigado.
- Verão: a colónia muda-se muitas vezes para um ninho secundário, grande, frequentemente no alto de árvores.
- Fim do verão e outono: é o pico de predação nos apiários, quando as colónias de vespas precisam de muita proteína.
- Outono: o ninho produz novas rainhas, que vão hibernar e recomeçar o ciclo.
Armadilhas: quando e como
As armadilhas fazem mais diferença na primavera, quando cada fundadora capturada é um ninho a menos, e no fim do verão junto aos apiários, para aliviar a pressão sobre as colmeias.
- Usa armadilhas seletivas, com aberturas que deixam sair insetos mais pequenos. Armadilhas não seletivas apanham abelhas, vespas europeias e muitos outros insetos úteis.
- Os iscos mais usados misturam líquidos açucarados e fermentados (por exemplo cerveja escura com xarope de fruta ou vinho). Renova-os com regularidade.
- Coloca-as perto, mas não em cima, das colmeias, e vigia o que capturam: se começarem a apanhar abelhas ou outras espécies, ajusta ou retira.
Proteger as colmeias
- Colónias fortes defendem-se muito melhor. Junta colónias fracas antes do fim do verão.
- Reduz as entradas: uma entrada estreita é mais fácil de defender.
- Protetores de entrada (grelhas ou "açaimes" à frente da entrada) obrigam a vespa a afastar-se e dão às abelhas uma zona de saída protegida.
- Harpas elétricas — grelhas de fios eletrificados à frente das colmeias — são usadas por alguns apicultores com bons resultados.
- Garante alimento suficiente no outono: colónias sob ataque saem menos e consomem reservas.
Encontraste um ninho? Não o destruas sozinho
Os ninhos podem ter milhares de vespas e a picada pode ser perigosa. A destruição dos ninhos é coordenada pelos serviços municipais de proteção civil. Para comunicar:
- Plataforma STOPVespa do ICNF, em stopvespa.icnf.pt (substituiu a antiga SOS Vespa);
- Linha SOS Ambiente: 808 200 520;
- ou a junta de freguesia mais próxima, que pode ajudar a preencher o formulário.
Indica a localização o mais exata possível e, se puderes, tira uma fotografia.
Registar para perceber o padrão
Anotar em cada visita a pressão de vespas por apiário (nenhuma, algumas, muitas) ajuda a decidir onde pôr armadilhas no ano seguinte e que colónias juntar antes do outono. No Apivoo, o formulário de inspeção tem um campo para pragas, e podes comparar apiários ao longo do tempo. Vê também o calendário apícola e o guia sobre alimentação das abelhas.
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