Loque americana e europeia: como reconhecer e o que fazer
As loques são doenças bacterianas da cria. Não afetam as pessoas nem tornam o mel perigoso para consumo humano, mas podem destruir colónias e passam facilmente de colmeia para colmeia — através da pilhagem, do material e das mãos do apicultor. Em Portugal, tanto a loque americana como a loque europeia são doenças de declaração obrigatória.
Loque americana
Causada pela bactéria Paenibacillus larvae, que forma esporos extremamente resistentes: sobrevivem durante muitos anos na cera, no mel e na madeira das caixas. É por isso a mais grave das duas.
- Cria salteada: alvéolos vazios misturados com cria operculada.
- Opérculos afundados, escurecidos, húmidos e muitas vezes perfurados.
- Larva morta de cor castanha, que se transforma numa massa viscosa.
- Mais tarde, uma escama escura colada à parede inferior do alvéolo, difícil de retirar.
- Cheiro desagradável em casos avançados.
O teste do palito
Introduz um palito num alvéolo suspeito, mexe e retira devagar. Se a massa esticar como um fio de 2 cm ou mais antes de partir, a suspeita de loque americana é forte. O teste não substitui a análise laboratorial, mas é o sinal para agir.
Loque europeia
Causada pela bactéria Melissococcus plutonius. Afeta sobretudo a cria aberta (larvas ainda não operculadas) e não forma esporos como a americana.
- Larvas retorcidas, fora da posição normal em "C", de cor amarelada a acastanhada.
- Larvas mortas com aspeto "derretido", mas a massa não estica no teste do palito (ou estica pouco).
- Cria salteada.
- Aparece muitas vezes na primavera, em colónias sob stress (falta de alimento, mau tempo, mudanças bruscas).
Suspeitas? É obrigatório comunicar
As duas loques constam da lista de doenças de declaração obrigatória da DGAV. Perante uma suspeita, deves comunicar aos serviços veterinários oficiais — as Direções de Serviços de Alimentação e Veterinária Regionais (DSAVR) da DGAV — ou contactar a tua associação de apicultores, que te pode ajudar com a recolha de amostras. As medidas a tomar (por exemplo, a destruição do material contaminado ou o transvase da colónia) são definidas com os serviços oficiais.
A DGAV publica um documento técnico sobre loque americana e loque europeia com os sinais e os procedimentos.
Enquanto esperas: não espalhar
- Não tires quadros da colmeia suspeita para outras colmeias.
- Reduz a entrada para evitar pilhagem por colónias vizinhas.
- Limpa e desinfeta o levanta-quadros e as luvas antes de abrir outra colmeia; trabalha nas colmeias suspeitas no fim.
- Não alimentes com mel de outras colmeias ou de origem desconhecida — é a forma clássica de transmitir esporos.
- Em Portugal, não há antibióticos autorizados para tratar loques nas abelhas; não uses medicamentos fora das indicações oficiais.
Prevenção
- Renova a cera: substitui todos os anos uma parte dos quadros do ninho (os favos velhos e escuros acumulam agentes patogénicos).
- Mantém colónias fortes e bem alimentadas.
- Evita a pilhagem: não deixes mel nem quadros expostos no apiário.
- Compra núcleos e material usado só de origem conhecida.
- Inspeciona a cria com atenção em todas as visitas — ver a checklist de inspeção.
Registar
Anotar o padrão de postura em cada visita ajuda a ver cedo quando uma colónia começa a ter cria salteada. No Apivoo, o formulário de inspeção tem campos para o estado da cria e para doenças (incluindo loque americana e europeia), e o histórico por colmeia mostra a evolução. Vê também o guia do caderno de campo.
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