Alimentação das abelhas: xarope, candi e substitutos
Em anos bons, as abelhas não precisam de nada além do que recolhem. Mas secas, primaveras chuvosas, colheitas grandes ou colónias novas podem deixar as reservas abaixo do necessário. Alimentar no momento certo é a diferença entre uma colónia que arranca forte na primavera e uma que morre de fome em fevereiro.
Quando alimentar
- Outono: para completar as reservas de inverno, quando as colmeias estão leves depois da última cresta.
- Fim do inverno: se as reservas acabarem antes das primeiras floradas — é a altura em que mais colónias morrem de fome, porque a postura recomeça e o consumo dispara.
- Primavera: para estimular a postura ou ajudar núcleos e desdobramentos a construir cera.
- Períodos de escassez no verão, em anos de seca.
Nunca alimentes com alças de mel colocadas: o xarope acaba armazenado e misturado com o mel.
Tipos de alimentação
Xarope 1:1
Uma parte de açúcar para uma parte de água (por exemplo 1 kg de açúcar em 1 litro de água). Imita um fluxo de néctar e estimula a postura e a construção de cera. Usa-se sobretudo na primavera.
Xarope 2:1
Duas partes de açúcar para uma de água. Mais concentrado, obriga as abelhas a evaporar menos água e é armazenado mais depressa. Usa-se no outono para constituir reservas.
Candi (fondant)
Pasta de açúcar sólida, colocada por cima dos quadros. É a opção para o inverno, quando está frio para as abelhas processarem líquidos e não convém abrir a colmeia muito tempo.
Substitutos e suplementos proteicos
O pólen é a fonte de proteína da cria. Em falta de pólen na primavera, um suplemento proteico pode ajudar a manter a criação. Não substitui o pólen natural.
Quanto alimentar
Não há um número único: depende da região, da raça, da força da colónia e da duração do inverno. Em climas frios fala-se em 15 a 20 kg de reservas; em boa parte de Portugal, onde o inverno é curto, as necessidades são menores, mas o risco no fim do inverno mantém-se. A melhor medida é o peso: aprende a reconhecer, levantando a traseira, como é uma colmeia bem abastecida no teu apiário.
Regras de ouro
- Alimenta ao fim do dia e dentro da colmeia, nunca em alimentadores abertos no apiário — atrai pilhagem.
- Não derrames xarope na caixa nem à entrada.
- Reduz as entradas das colónias fracas enquanto as alimentas.
- Nunca uses mel de origem desconhecida: pode conter esporos de loque americana.
- Usa açúcar branco ou preparados próprios para abelhas; evita açúcar mascavado e caramelizado.
Registar a alimentação
Anotar quando e quanto alimentaste cada colmeia ajuda a perceber quais as colónias que dependem sempre de ajuda — muitas vezes candidatas a substituir a rainha. No Apivoo há um registo de alimentações por colmeia ao lado das inspeções. Vê também o calendário apícola para enquadrar a alimentação no resto do ano.
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