Guia completo de controlo de varroa em 2026
A varroa (Varroa destructor) é um ácaro que se alimenta das abelhas adultas e da cria. Além do dano direto, transmite vírus — o mais conhecido é o vírus das asas deformadas. É hoje a principal causa de perda de colónias na Europa, e praticamente todos os apiários em Portugal estão infestados. A questão não é se tens varroa, mas quanta.
Monitorizar antes de tratar
Tratar sem medir leva a tratamentos desnecessários (e a resistências) ou a tratamentos tardios. Os métodos mais usados:
- Lavagem com álcool: cerca de 300 abelhas (meia chávena) recolhidas de um quadro de cria, agitadas em álcool. Contas os ácaros que se soltam. É o método mais fiável, mas mata a amostra.
- Açúcar em pó: o mesmo princípio, com açúcar em pó em vez de álcool. As abelhas sobrevivem; é um pouco menos preciso.
- Queda natural: um tabuleiro com fundo sanitário sob a colmeia durante alguns dias. Dá uma tendência, mas é mais difícil de interpretar.
Com amostras de abelhas, a infestação calcula-se assim: ácaros ÷ abelhas × 100. Uma referência comum é considerar o tratamento quando a infestação ultrapassa cerca de 3% no fim do verão — e mais cedo se a colónia mostra sintomas. Os limiares variam conforme a época e a fonte; mais importante do que o número exato é medir sempre da mesma forma e acompanhar a evolução.
Quando tratar
- Fim do verão, depois da última cresta: o tratamento mais importante. Protege as abelhas de inverno, que nascem no outono e têm de viver meses.
- Inverno, em ausência de criação: a varroa está toda nas abelhas adultas e os tratamentos de contacto são muito mais eficazes.
- Primavera: só se a contagem o justificar, e nunca com alças de mel colocadas, salvo se o folheto do medicamento o permitir.
Substâncias ativas
Em Portugal só podes usar medicamentos veterinários autorizados para abelhas — a lista atualizada está disponível na DGAV. As principais substâncias ativas são:
- Amitraz — tiras de libertação lenta (por exemplo Apivar).
- Piretróides (tau-fluvalinato, flumetrina) — tiras (por exemplo Apistan, Bayvarol). Há resistências documentadas em muitas zonas; verifica a eficácia com uma contagem depois do tratamento.
- Timol — gel ou placas (por exemplo Apiguard, Thymovar, Apilife VAR). Muito dependente da temperatura.
- Ácido oxálico — gotejamento ou sublimação, conforme o produto autorizado. Muito eficaz sem criação.
- Ácido fórmico — tiras ou placas (por exemplo MAQS, Formicpro). Atua também dentro das células operculadas.
Segue sempre o folheto: dose, duração, temperatura, e se pode ou não ser usado com alças. Usar doses ou tempos diferentes do indicado reduz a eficácia e acelera as resistências.
Evitar resistências
- Alterna substâncias ativas de famílias diferentes entre tratamentos.
- Retira as tiras no fim do período indicado — tiras esquecidas na colmeia expõem os ácaros a doses baixas durante meses.
- Faz uma contagem 2 a 3 semanas depois do tratamento para confirmar que resultou.
Métodos biotécnicos
Podem complementar os medicamentos e reduzir o número de tratamentos:
- Remoção de cria de zângão: a varroa prefere estas células. Um quadro-armadilha retirado depois de operculado leva muitos ácaros consigo.
- Interrupção de postura (enjaular a rainha durante cerca de 3 semanas) seguida de um tratamento sem criação.
- Desdobramentos, que também interrompem o ciclo da varroa no núcleo.
Registar é obrigatório
Os medicamentos veterinários usados em abelhas têm de ficar registados e o registo tem de ser guardado pelo menos cinco anos (Regulamento (UE) 2019/6). Vê o guia do caderno de campo para saber o que registar.
No Apivoo
Regista as contagens de varroa e cada tratamento por colmeia — ou para o apiário inteiro de uma vez. Quando indicas a data de fim do tratamento, o Apivoo cria automaticamente uma tarefa para fazeres a contagem de verificação. No planeador de tratamentos podes verificar, colmeia a colmeia, se ainda há tratamentos dentro do intervalo de segurança antes de uma colheita.
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